CAMINHO
CERTO DE UMA RUÍNA – Brasil nunca será um país rico.
Dizer que o Brasil caminha com passos largos para o rumo do abismo isso
é coisa que até criança sabe. Penso imediatamente nas cenas horríveis das
cidades devastadas após as batalhas finais da Segunda Grande Guerra.
Tomando, por exemplo, a cidade de Berlim, invadida pelo exército
vermelho sinalizando a tomada completa do local o que era possível enxergar?
Os hospitais estavam todos destruídos, as praças desapareceram, os
carros foram incinerados, os trens não circulavam mais por falta de trilhos,
locomotivas e a fome pegava a todos de forma indistinta.
Tomemos agora o Brasil de hoje, pretensamente um país emergente, pois é!
Nessa hora talvez chamar o gigante adormecido de país submergente
mergulhando num lodo que é herança de décadas de completo desmando, falta de
visão, um oceano de corrupção solapando nosso futuro.
Sou atualmente uma pessoa estrangeira em meu próprio território onde
nasci> Meu corpo está presente aqui, eu o sinto, posso até me beliscar para
ter essa certeza. Meu espírito há muito pegou um avião e encontra-se em rumo
ignorado e não sabido, mas certamente repousa em terras não semelhantes a essa
onde a violência de uma burrice extrema tira a chance de um país crescer e se
desenvolver.
Somos residentes em uma armadilha desde as décadas perdidas dos anos 80
do século passado. Pegaram-nos em uma hiper arapuca e selamos nosso destino
quando inventamos de querer ser um lugar mais desenvolvido.
Moro no Brasil, mas meu coração partiu em companhia do meu espírito que
se cansou de esperar um mundo melhor onde possamos ter a chance de enxergar
nossa bandeira e realmente se emocionar com aquelas cores vibrantes.
Jogo a toalha. Meus escritos, meus aprendizados, ensinamentos,
esperanças, juventude, criatividade, boa vontade, honestidade, meus X anos
sentado a bordo de assentos universitários, noites adentro sem sono querendo
alcançar boas notas e o reconhecimento dos meus mestres não me serviram para
ajudar o Brasil a crescer pelo unitário esforço.
Os juros que pago da minha juventude desperdiçada num país como o nosso
é algo imenso e sem dimensão. Quero nascer de novo, mas em outro lugar, quem
sabe na remota Ilha de Páscoa, ou na Groenlândia sei lá. Menos aqui.
Sinto-me fracassado, magoado e sem qualquer micrograma de esperança.
Tive essa sensação toda por conta de uma matéria de revista que eu comi
com os olhos e com o estomago revirado, confesso. Imaginaria ser pego de
assalto com uma reportagem de um desastre tipo as Torres do WTC em 2001. A
reportagem, entretanto, não tinha sangue, mas uma realidade tão devastadora que
fazia tempo que não me surpreendia incrédulo.
Isso mesmo um simples artigo escrito, provavelmente por uma equipe
brilhante de articulistas mostrando fatos duros como rocha cristalina, tão
devastadora, acachapante e horrivelmente real.
Não vou falar o nome da revista porque ela não me pagará nada para
mencioná-la aqui, mas seguramente encontra-se ainda à venda nas boas bancas de
jornal e revistas.
Peço gentileza aos meus queridos leitores, odiadores, admiradores,
amantes de uma boa leitura para separar o texto em três partes para não ficar
pesado causando o abandono da leitura, talvez no momento em que o filme vai
contar que o delito grave foi cometido pelo eterno mordomo criminoso.
Leia-o em três partes. Posso aqui sugerir o ponto final da parte um. Um
breve prefácio do que vou escrever aqui. Será de importância capital aprender
como poderíamos ter construído um país com P maiúsculo, um Brasil escrito com
todas as letras em negrito grifado.
Tome algumas verdades como piso para as partes dois e três do texto:
1.
Jamais se ergue um país de ponta como a Coreia do Sul
com governo sentado no berço eterno do crime contra todos nós em todos os
sentidos;
2.
Nossa sociedade ainda não aprendeu a enxergar algo
além da própria bota;
3.
Um país nunca poderá crescer com educação de nível e
qualidade chinfrim como temos aqui;
4.
Falta de planejamento tático governamental sela o
destino de todo um grupamento de pessoas por maior que seja e por mais boa
vontade que se possa ter;
5.
Sequer conseguiríamos erigir uma vila decente sem ter
instituições realmente sólidas capazes de servir como alicerce de um futuro
melhor.
PARTE DOIS
O Brasil não é um país miserável, mas se comporta como se fosse. Desde
os anos 60 que nossa classificação ascendeu num nível superior a de ser
pobretão. Passaram-se quantos anos desde então?
Cinquenta e três! Uma geração ou talvez duas.
Uma matemática reforça minha teoria. Países que deixaram de ser pobres e
entraram na faixa de renda média, entre 3.000 a 16.000 dólares, a maioria
cometeu erros terríveis e mergulharam de cabeça em vários piscinões de Ramos da
estagnação econômica pedalando no atoleiro anos a fio sem sair do lugar.
Os entendidos se fixam muito na aclamada renda média.
Porque esse erro? Qual a origem? Basicamente porque a renda média planta
uma safra de dificuldades competitivas.
A que mais chama atenção é a “vocação”, palavra idiota e contumaz nas
explicações governamentais como se obra do Divino fosse. Vocação para exportar
porcariadas de baixo valor agregado como as estrelas do cinema cômico chamadas
commodities. Eu odeio de coração ponto com ponto BR essa desgraça vocacional em
que nos metemos.
Não precisa ser sábio e dono da verdade para enxergar o “bóvio”
ululante.
Carregar navios cheios de minério de ferro, açúcar “in natura”, soja em
grãos e outras bobagens de alta tonelagem e baixo preço não faz nenhum país
crescer para sair dessa peça de arte da renda média.
Aproveitarmos nosso custo mais baixo para produzir soja é uma coisa. Ser
pamonha a ponto de não ganhar mais valor agregado com ela é prática de amadores
e leigos no assunto. Exportar ferro é um exemplo mais que completo. Se aqui tem
esse minério em abundância há de se considerar que quem compra tenha
necessidade porque não tem isso em seu quintal.
O que no interior se chama “faltância” não se transforma em mais
dinheiro no bolso porque esse comando do nosso perfil exportador está nas mãos
de excelentes padeiros, gente dedicada a fazer ótimos pães sem qualquer visão
de como ganhar dinheiro com a ultra mega vantagem de termos abundância e não
explorar quem do minério precisa desesperadamente, quase de forma imploratória.
Outro pecado mortal sem direito a perdão divino: a renda média é
consequência direta de uma indústria que não consegue mais ofertar serviços e
produtos sofisticados e inovadores para seu mercado interno ou vender para países com a carteira de dinheiro mais
abastada.
Se nas décadas após o conflito da Segunda Grande Guerra, países como
Brasil e México cresceram de forma chinesa durante anos a fio e de repente
ficaram estagnados não é porque os ciclos de Kondratiev fizeram seus estragos
numa gangorra de tempos bons e tempos ruins como querem nos fazer crer.
Do outro lado do tapete global, Coreia, Japão, Suécia e Cingapura
singraram com suas naus nos mesmos problemas globais de crise do petróleo, vai
e vem do mercado, uma hora em grande oferta mais pleno emprego, outra hora com
o pires na mão. Porque eles cresceram e se colocaram na vanguarda dos países
ricos?
Os coreanos, japoneses, suecos e cingapurenses são mais inteligentes que
nós brasileiros? São mais espertos? Trabalham mais horas por dia? A
inteligência é uma dádiva ao alcance de todo ser humano. O que fazer com ela é
que são os outros mil e quinhentos.
Com cinquenta e três anos de balcão, meus amigos e amigas, qualquer Zé
consegue aprender alguma coisa por mais limítrofe que possa ser, aprende-se por
osmose dizem os grandes sábios de plantão.
Sabe quando seremos um país rico?
Somente no ano de 2.290!
Basta apenas calcular alguns números para chegarmos a essa conclusão.
Quando 2.290 chegar para nenhum de nós fará a menor diferença eu garanto. Se
continuarmos a rodar atrás do próprio rabo como cachorro louco ou gato maluco
certamente nem em um milhão de anos.
Um check up do Brasil hoje revela que o doente é terminal.
Medidas drásticas, quem sabe um transplante de órgão possa resolver o
dilema e não deixar o paciente virar defunto ou morto vivo.
Se médico eu fosse diria hoje que o Brasil é um pais zumbi, olhos
arregalados, tomando porrada por todos os lados e não sabendo onde fica a saída
para tudo isso. Eu sei onde fica? Querem aprender como?
Vamos necessitar apenas de um macaco Tião mais inteligente lá para cima
do poder para aprender como se faz.
A tal osmose. Ela funciona.
Veja no capítulo seguinte como fazer essa matemática funcionar e colocar
o Brasil para ser destaque no mundo mais que duas Chinas, três Coreias.
PARTE TRÊS
PRIMEIRO GRANDE PROBLEMA
O primeiro problema crítico do Zumbi Brasil é que ele tem um ideário
comercial de cofre com 200 segredos, ou seja, comércio fechado em demasia. Esta
prática nociva põe na lona com nocaute de ponta de queixo nosso futuro
comercial e detona com qualquer potencial de crescimento.
Não devemos voltar nossos olhos para a lacrada Coreia do Norte ou
paisecos assemelhados, devemos nos inspirar nos vencedores deste boxing
comercial global, Taiwan, por exemplo. Nem, tampouco, ficamos de namorico com
países mais doentes que o Brasil: Argentina, Venezuela, Bolívia. Deixemos essa
gente se virar.
O Brasil pouco ou nada tirou proveito da globalização antes de ser uma
bandeira para partidos de esquerda ou direita rasgarem suas roupas em
alucinadas manifestações, antes de ser motivo para incendiar bandeiras uma
ótima oportunidade de negócios, isso sim.
Esses partidos, verdadeiros lixões de pessoas mal intencionadas, fazem
as manifestações crônicas porque não são capazes de apresentar uma única linha
de um projeto decente que possa beneficiar a sociedade com um todo.
O Brasil não entende como fazer parte das artes comerciais globais, das
cadeias produtivas em geral porque o governo age como um xiita explosivo a
ponto de acreditar que o processo de globalização é um bicho papão com 10
tentáculos e algo a ser exterminado.
Outro mea culpa é fazer tomar
assento os medrosos em cargos das pastas de comércio e relações exteriores
abafando qualquer ideia revolucionária para alavancar o estado medieval da
nossa balança de pagamentos. É muito simples. Todos os países que abriram a
gaiola da renda média o fizeram pela abertura de mercado. Isso é um fato.
Exemplo: 60% das exportações coreanas estão soldadas com as correntes
internacionais e cadeias produtivas além mar. Aqui temos somente 30% e em queda
livre pelo vício maldito da vocação de exportar itens de baixíssimo valor
agregado como café em grãos.
Outro entrave desatinoso para que não possamos adotar uma abertura
comercial maior: MERCOSUL. O grupelho, por definição, impede a adoção de
acordos bilaterais para seus membros, se acordos puderem ser costurados somente
com o grupo todo entrando no meio e negociando conjuntamente.
Soa como colocar duas bolas pesadas de aço no campeão mundial dos 100
metros rasos. Pode até conseguir cruzar a linha de chegada e quando o fizer o
vencedor estará na praia tomando uma cerveja gelada e passando bronzeador na
garota ao lado.
Temos que nos livrar do MERCOSUL, o sistema é burro, obsoleto, impróprio
e dirigido por senis aposentados que deveriam estar a pescar ou levar o netinho
para tomar sorvete.
O Brasil ganharia dois pontos percentuais no crescimento do PIB acima da
média abrindo seu comércio às cadeias globais de comércio.
PROBLEMA DOIS
Infraestrutura tecnológica de idade pré-cambriana no caso terminal do
Zumbi Brasil.
Somos conhecidos como um lugar onde os serviços de telecomunicações tem
no leme do barco a feliz família pré-histórica Flintstones do famoso desenho
animado: Fred, Vilma, Pedrita e o pet de estimação Dino.
Péssima qualidade, interferência demais dos açougueiros governamentais
que entendem de picanha e costela assada, mas nada de fios, relês, telefones,
fibras óticas, banda larga ou satélites e nem como construir algo que preste no
setor.
Além disso, um preço tarifário insuportável, indecente como se o serviço
fosse privilégio de meia dúzia de milionários. Neste ponto a culpa é do governo
que abriu os céus as frequências de telefonia para empresas estrangeiras
entregarem metade da encomenda que seria: preço baixo e alta qualidade. A
qualidade tomou um bonde e desapareceu na penumbra sobrando uma titica de
serviço inóspito e de quarto mundo subsaariano.
A banda larga no Brasil ainda é experimental: 100 milhões de sonhadores
irritados com o tráfego vaga lume: acende, apaga e com velocidade de lombo de
bicho preguiça. Os aborígenes que estão
no comando desse circo não percebem que tráfego de informações nos tempos
atuais é questão estratégica de alta octanagem, de sobrevivência mesmo e escada
de acesso ao primeiro mundo.
O tráfego sendo hiper veloz e barato causa direto aumento no PIB de dois
a três pontos percentuais em média, vide exemplo da Coreia do Sul. É só
verificar o que era a Coreia cinquenta anos atrás pobre e miserável com o povo
passando fome. Um poucas décadas a Coreia conseguiu emergir de um oceano
profundo de pobreza e escassez.
As telecomunicações brazucas categoria jurássica devem renascer das
cinzas, talvez seja interessante queimar todos os satélites, circuitos,
telefones, fios e postes, antenas e o escambau - começar de novo com Adão, Eva,
mas desta vez sem a cobra ou qualquer fruta presente.
O cipoal de regulamentações é doentio. A fiscalização é coisa de
“cumadres” e “cumpadres” não sendo um movimento sério. Finalmente, e o mais
importante quesito: tirar os verdureiros e os padeiros que comandam o
Ministério das Comunicações, como dirigentes fazem excelentes pães e nos servem
hortaliças fresquinhas e crocantes.
PROBLEMA
TRÊS
Empreendedorismo inovativo, a ausência de.
Israel é um país pequeno com pouco mais de 7,5
milhões de habitantes, em grosso modo aproximadamente a população regional da
grande São Paulo, incluindo as cidades que formam o começo do nosso alfabeto A,
B C e D, na ordem: Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema. Israel
ocupa uma área de mais ou menos 22.072 km quadrados, um país pequeno frente aos
nossos 8,5 milhões de quilômetros quadrados, portanto 385 vezes maior.
Israel com a população de apenas uma grande
cidade brasileira e um espaço que cabe no quintal é um dos cinco maiores países
do mundo produtores de patentes por capita do mundo. Temos uma economia que não
é capaz de criar nada que seja inovador a não ser rebolados de carnaval
inéditos, marcas de cachaça e novas maneiras de dar um jeitinho.
Ocupamos os últimos lugares segurando a
lanterninha do 27º lugar no presente quesito. Fraquíssimo. Israel ainda emplaca
outra medalha de ouro, o país número UM com louvor no gasto em termos de
investimento frente ao PIB: 4,5%, o Brasil, de outro lado, sua a camisa de
pingar no chão para conseguir raspar em 1%. Um dos marcos regulatórios que
podem servir de indícios do lugar e tempo onde o Brasil erra é a falta de
conjugação entre os esforços das universidades empreendedoras versus corpo
empresarial.
Nos EUA, por exemplo, existe uma simbiose
entre universidades, a iniciativa privada e entidades governamentais. Não são
raros os professores que comandam laboratórios como se aquilo fosse sua empresa
particular, os alunos são altamente incentivados a criar suas start ups,
traduzindo para português, criam suas ideias empreendedoras e recebem maiores
incentivos.
Aqui no Brasil um professor é proibido de
fazer isso por conta da tal dedicação integral, como se criar algo novo e ajudar
alunos a fazê-lo não fosse mais que isso. Professores brazucas assinam contrato
de trabalho que os impedem de ter empresas de pesquisa, entre outras coisitas.
Pura atitude medieval.
Outra vertente importante: o Brasil não adota
a aclamada inovação de desrupção e sim a incremental, ou seja, quer melhorar
algo que já existe ao invés de criar o novo com a presença de uma relação
íntima entre o ambiente universitário e o privado, afinal de contas, partindo
do pressuposto que a universidade crie um mecanismo novo, ou tecnologia
inovadora vai ser usado por quem?
Isso serviria para quem? Evidente que o
destino final seria uma atividade comercial ou uma prestação de serviço com
destino a um maior número de pessoas.
O Brasil tem horror dessa relação como se a universidade
fazendo isso amamentaria um sistema de subserviência versus obediência cega por
conta das fontes de recursos virem do mundo privado. Claro que montar um
sistema desse ia requerer salvaguardas para que isso não acontecesse. Basta
chamar o macaco Tião que ele sabe fazer essas coisas, não requer malabarismos
intelectuais.
Israel nasceu em 1948 e galga alcançar um
nível invejável 65 anos após sua criação, o Brasil vem escrevendo sua história
desde 1500!!!! 513 anos de capinar e não aprender nada. Só se copia os Big
Brothers da vida e outros besteiróis mais horríveis ainda.
O Ministério da Educação, administrado por um
curioso de primeira grandeza desconhece tudo sobre o tema. É grego escrito em
braile para ele. A garotada que está no comando do setor por aqui a única coisa
que importa é quantidade, só vale contar alunos fora ou dentro da escola. Ela
faz de conta que ensina, o aluno que bate no(a) professor(a) engana que sabe e
o nosso Titanic aderna como sempre vazando incompetência pelo ladrão.
Nesse passo vamos precisar de mais 1.000 anos
para dar conta do recado ao não pararmos de brincar de educação. Esse tema é
estratégico, sério, horrivelmente imprescindível para o crescimento. O
milk-shake educação versus política sempre suja centenas de rolos de papel
higiênico nos dois lados.
PROBLEMA QUATRO
Educação Superior
Construir um prédio usando arquitetos formados
na vila Vintém em Manacapuru ou engenheiros craques que estudaram em Harvard do
agreste dos Açores cheira ruim. Normalmente o desabamento é liquido e certo.
Rezar após a construção e pedir a Santo
Expedito (santo das causas impossíveis), quem sabe, ajudariam.
O Brasil coloca na rua das universidades
safras de menos de gente porcamente preparada, pouca qualidade para dar suporte
ao nosso crescimento. Vale a máxima de 500 formandos frescos que não sabem
construir uma ratoeira do que diminuir esse número em primeiro lugar e aumentar
dramaticamente a qualidade, mas põe dramaticidade nisso.
País para o qual devemos olhar? Japão.
Experiências de países que saíram da armadilha
da renda média mostra que o uso dessa ferramenta da qualificação fez toda a
diferença. Foi uma condição primeira e inafiançável para o Japão sair do
buraco, logo após ter sido praticamente destruído na Segunda Grande Guerra. Ah
mas o Japão recebeu dinheiro para fazer isso dos americanos, assim eu também
faço!
A grande sacada é que os japoneses
aproveitaram cada micro centavo em sua reinvenção, eles focaram dois coelhos
com uma cajadada: inovação industrial e formação maciça de engenheiros.
Resultado foi que em menos de 10 anos o Japão saiu da renda média. 10 anos!!!
Faz 50 que estamos na estaca zero senhores e senhoras.
Falta dinheiro? Fundamentalmente não. O que
falta é gestão pura e simples e interromper um círculo vicioso de assaltos ao
trem pagador quando o assunto é roubar da sociedade para distribuir entre os
lobos de sempre que infectam a nossa vida pública e privada.
Outro dado para a brincadeira. Sabem quantas
universidades brasileiras estão entre as 50 melhores do mundo? Nenhuma, zero.
De cada 100 novos recrutas que as
universidades colocam na rua apenas 13 reúnem condições mínimas para as
exigências do mercado, o resto são paraquedistas que vão construir pontes que
cairão, casas que afundarão dando mais prejuízos do que colocar o nosso amigo
famoso maçado Tião para sentar tijolos.
Vale voltar o tempo alguns parágrafos acima. A
contumaz mania de ofertar politicamente o comando do Ministério da Deseducação
a um excelente palpiteiro tem sido um desastre de proporções bíblicas para
nosso futuro rico que nunca virá. Estamos criando um porvir dependente de
outros atores, seremos passivos eternamente em qualquer teatro imaginável.
Consequentemente existem efeitos colaterais
para a lambança que está em curso: nossa produtividade está estacionada com os
pneus furados há 30 anos moçada! Nosso produto por cabeça atinge 20,000
dólares, é apenas a quarta parte dos japoneses que tem meia dúzia de pessoas
por lá e um território que não tem nenhum recurso abundante, exceto uma nata de
excelentes engenheiros e gente sem preguiça de reinventar a roda, admirável
para seu tamanho de uma tampinha de garrafa, uma ilha, na verdade.
Uma ilha dando pau em nossos 8.500.000 km/2 e
mais de 190 milhões de torcedores!
Mais uma vez repito o mantra. Não tem
dinheiro? Claro que tem. Não tem é gente capaz de enxergar além do bico da
botina. É a nossa escolha. Desse jeito vamos virar uma gigantesca Somália.
Temos tudo e jogamos no lixo diariamente.
Para acabar com esse bloco um dado a ser
considerado. A indústria brasileira está chorando feito Maria Carpideira no
velório sabem por quê? Porque não tem gente qualificada para ocupar o cargo de
engenheiro disso ou daquilo outro. Pior. Os que aparecem com seus vastos
currículos não sabem escrever a letra “O” usando um copo e um lápis! Aqui em
Piracicaba, manchete dos jornais de hoje, dia 10/08/2013, as padarias não
conseguem contratar gente qualificada para fazer doces ou pães. Também pudera.
Os padeiros ocupam os cargos de ministros e o resto que coma brioches.
PROBLEMA CINCO
Instituições sólidas como rochas
Casa com alicerce em cima do lodo por mais
linda que possa ser com torneiras de ouro e piso importado da Itália vai ruir.
O conceito vale para qualquer país, inclusive o Brasil.
Tentamos montar uma casa magnífica usando
cimento institucional de qualidade barbante, ferro marca fusnaia e encanamentos
feitos na china usando material reciclado.
Algumas cidades da América do Norte a
fronteira EUA-México corta a cidade no meio. Colocando uma lupa e espiando a
cidade do alto percebe-se duas metades de uma laranja surreal. De um lado as
escolas estão lotadas, as pessoas andam com boa saúde pelas ruas, há saneamento
em quase toda essa parte da cidade e a criminalidade é baixa.
Do outro lado saúde pública de péssima
qualidade, criminalidade correndo solta, a maioria dos jovens estão fora da
escola vadiando pelas ruas. Minha amiga Ameba San que tem meio neurônio
perceberia de imediato que o lado podre da laranja está no México. Claro.
Podemos elaborar uma lista de razões que podem
fazer um país ser pobre e certamente uma delas passa pela qualidade das
instituições e nessa foto estamos nus e mal pagos. As instituições, notadamente as públicas, são
pilares sinalizadores para as decisões de investimento, para demarcar
infraestrutura básica e eficiente, formação de mão de obra com qualidade suíça,
para determinar os rumos do norte do crescimento.
Os pilares de qualquer população passa pelo
concreto sólido de instituições magnificamente enterradas em conceitos firmes,
indestrutíveis produto de uma sociedade séria e determinada. O Brasil caminha a
passos largos rumo ao retrocesso. Se ontem as nossas instituições eram meia
boca hoje estão em condição de miserê total.
O Banco Central é um exemplo. Bate cabeça
quando a inflação sobe um pouco, faz arruaça na política de cambio e segue um
manual carcomido de velho com uma receita apenas: aumentar juros. O tesouro Nacional embrulhou-se num escândalo
recente de maquiar com batom e cílios postiços o cálculo do superávit primário
usando matemágica de alta tecnologia, uma invenção verde amarela que dá
qualquer resultado para a soma de dois mais dois, depende do vento e da direção
dos interesses.
Entra no alicerce igualmente: confiança nos
políticos, desvio dos recursos públicos, desperdício de grana dos nossos
impostos, cipoal de regulamentações idiotizantes para complicar e a venda de
facilidades para contornar as pedras pelo caminho oriundas do excesso de
regras, complacência da justiça para tratar como diferentes nós todos onde
nossa Constituição afirma o contrário.
Vai ainda: política de segurança pública que
há muito já foi derrotada, rede pública de transportes estilo indiana com
pessoas dependuradas até nos fios do trem, sistema de saúde que cópia os piores
campos de concentração nazistas.
Alicerce com lama mole embaixo nem formiga
anda por ai. Esse é o nosso caminho. Ah e uma Presidência que até hoje não
parou de brincar de Simão diz com duas letras vermelhas.
Os raios-X do paciente Brasil indicam coma induzido.
Nós construímos o estado desse torpor. Quebramos o braço e as pernas do país e
ainda torcemos seu pescoço como uma galinha candidata a virar refeição.
Com a grana que se produz aqui por ano não tem
desculpa de falta de recursos. Nem para criar desculpas o governo se dá ao
luxo. O nosso problema é crônico e para salvar esse moribundo é preciso uma
injeção de vergonha na jugular, essa mesma vergonha, sim, boa para importarmos
um navio cheio dela não médicos para tratar nossos doentes falando javanês.
O conceito é simples demais para ser ignorado
de forma perene. Não temos mais tempo de jogar bolinha de gude e empinar pipa.
O Brasil é um adulto mal vestido, com brotoejas na pele, com sífilis em suas
coisas públicas, com blenorragia nos ideários mais puros e criativos.
Curativos descartáveis não tapam a ferida
aberta. Culpa nossa de jogarmos no lixo e na indecência nosso direito de voto
quando colocamos nossas esperanças em palhaços de circo, assaltantes de bancos,
fichados na polícia, delinquentes, dementes, maníacos depressivos, histéricos
em geral, assassinos passionais, politicalhos nojentos, psicopatas de alta
periculosidade e idiotas a granel.
Instituições e países se erguem com preceitos
mínimos de decência, responsabilidade, dignidade e participação. Se eu gastei
horas a fio escrevendo isso é porque é minha contribuição isolada de querer
consertar o navio furado no meio do Atlântico revolto.
Nasci aqui e com tantos anos no lombo até hoje
não pude sentir o prazer de ser bem atendido quando estou com dor num hospital
qualquer, receber respeito do meu governo que me trata como idiota, passear com
meu cachorro sem medo de o bandido levar minhas calças e metralhar minha
vizinhança.
Tem gente que nunca vai pilotar uma Ferrari
assim como eu. Mais ou menos essa frustração de ver as coisas derraparem na
curva da vergonha, da falácia dos políticos malditos, das troças que o Estado
nos faz quando nos cobra ouro e nos devolve lixo.
Fechando o texto. Quem tem mais dinheiro o
Canadá ou o Brasil? Se você pensou Canadá está errado. Temos uma economia
muito, mas muito maior que a canadense. Logo o governo canadense arrecada
menos.
Pergunta dois: em qual desses países há
excelentes estradas, saúde impecável, padrão de vida europeu, muita segurança e
um governo decente?
Conclusão: o problema aqui não é falta das
verdinhas no bolso e sim parar de roubar e gastar bem o que tem no cofre.
Simples gestão. Fui
Piracicaba (SP), 10 de Agosto de 2013
Magno Almeida Lopes é administrador de
comércio exterior, jornalista e escritor. Acesse meu blog para outros textos http://jornalpenalivre.blospot.com
Email: lopesmagno@gmail.com
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